Dimitri Karamazov

Os Karamazov de Estimação

Na estante, o mestre russo ditava o tom, 

Entre o pecado, a fé e o que é bom. 

Dostoiévski em casa não era apenas leitura, 

Era o batismo da alma, em toda a sua fundura.

No aquário de vidro, um brilho dourado, Dimitri Karamazov, por mim batizado. 

Um peixe-poeta beta laranja


O Alibi de Vidro e a Herança de Sangue

Não foi por acaso que o vidro se fez lar, Para um Dimitri de barbatanas e silêncio. Ali, no aquário-cela, o vi nadar Entre a culpa do ser e o vício da existência, Um Karamazov preso em sua própria transparência.

Dostoiévski me ensinou que o crime é o próprio viver, E o castigo... o castigo é a consciência que insiste em não esquecer. Nas páginas amareladas, encontrei meu reflexo: A busca por Deus num mundo complexo, Onde a lógica de Ivan desafia a fé, E o sofrimento é o único chão onde o homem fica de pé.

Os irmãos não eram de papel, eram de carne e garra, Ivan e o pequeno Jr., em sua guarda-noturna, Vigilantes da minha própria Raskólnikov interna. Eles carregavam nos olhos aquela centelha russa, A mistura de ternura e da fera que se aguça.

Aos cinquenta, a "Máquina de Esquecimento" falha, Pois certas leituras não são tinta, são navalha. O peixe Dimitri partiu, mas o nome ficou cravado, Como o testamento de um tempo em que eu era, ao mesmo tempo, O santo, o cético, o juiz e o condenado.


Para que se entenda Ivan Karamazov e Ivan Karamazov Jr



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